Historiografia, narrativas e estatísticas de figuras e episódios lendários da bola, essa arte geométrica. Envia-nos mail para a.caderneta.da.bola@gmail.com .
quinta-feira, junho 26, 2003
Devemos confessar que ficámos algo sentidos com o epíteto de " o mais conservador dos blogs portugueses" no Quinto dos Impérios (http://noquintodosimperios.blogspot.pt).
Podemos mesmo considerar tais declarações como um tackle por trás, à margem da lei, passível de ser admoestado com a exibição directa do cartão vermelho.
Neste nosso primeiro e último post de teor político (a malta curte é bola!) afirmamo-nos, sem qualquer tipo de reservas, como adventistas do futebolismo dialético.
Esses comentários são, no fundo, a antítese que, opondo-se à nossa seminal tese, ajuda a germinar a nova aurora futebolística, a síntese revolucionária que pintará de liberdade os anais da história da bola, quais Pedros Miguéis a emergir do proletariado barreirense para o patamar das classes esclarecidas. Isso sim, nós conservamos.
Infelizmente não temos tempo para responder aos e-mails todos, mas muitas das questões colocadas, ficarão a seu tempo, resolvidas ou quase. A paciência é uma grande virtude, como aliás ficou demonstrado na carreira de Herivelto, brasileiro do Marítimo que suou as estopinhas para ganhar a titularidade a Jorge Andrade.
Um ataque extremamente agudo de irresponsabilidade leva-nos a interromper por breves minutos os nossos afazeres técnico-profissionais-ó-académicos e partilhar com a imensa minoria mais uma memória, mais um símbolo, mais uma viagem.
Desta vez, aterramos no já célebre triângulo Chaves-Braga-Croácia e raptamos à bruma da história essa lenda que dá pelo nome de Karoglan.
Mladen Karoglan, um nome que dá vontade de saborear. O primeiro 'a' aberto, um 'den' quase apocalíptico, uma pausa para respirar no desabar do mundo, e recomeçar, 'karo', a expirar o 'o', lentamente, como quem fuma o último cigarro antes da execução, e 'glan'. Karoglan.
Decorria o ano de 1964, os Beatles rebentavam as tabelas, Nelson Mandela era preso no Apartheid, revolta nas ruas do Harlem, motins raciais, o primeiro transplante do pulmão, e, no dia 6 de Fevereiro, na pequena cidade de Imotski, a cidade dos dois lagos do condado de Split e da Dalmatia, nascia Mladen Karoglan.
Peripécias múltiplas e altamente fastidiosas, as futebolísticas das quais certamente orquestradas por maneigers sem escrúpulos, trouxeram o jogador até Chaves. E se para trás do Marão mandam os que lá estão, para os avançados de leste abre-se sempre uma excepção (rima e é verdade!). Se na época de 91-92, fora Rudi, com 10 golos e pela segunda vez consecutiva, a ostentar o galardão de melhor marcador dos flavienses (feito que viria a repetir no altar que o tornaria um santo, a Capital do Móvel Paços de Ferreira), em 92-93, Karoglan aterra no aeródromo para singrar e ser a única luz numa época de trevas.
(pequeno parentesis: a referência ao aeródromo não foi inocente. Foi também neste aeródromo que anos mais tarde a equipa do Sporting viria a aterrar para jogar uns quantos minutos de descontos de um jogo que acabara dias antes porque a luz veio abaixo. fim de parentesis.)
Nessa época mefistofélica, em que o GD Chaves desceu à 2ª divisão acabando com 16 pontos, o último lugar e apenas 4 vitórias, todas elas em casa, Mladen Karoglan conseguiu ainda assim marcar 10 golos. Se compararmos a perfomance do croata com a de Serifo e quejandos, percebemos facilmente que aquele não era jogador para alinhar na divisão de honra.
Atentos como sempre, Mesquita Machado e seus capitães repararam nisso e levaram-no para a Nápoles portuguesa, Braga, essa cidade idiossincrática que tanto pode parir uns Mão Morta como um Cónego Melo.
Em Braga, na época de 93-94, o nosso croata ficou-se pelos 9 golos mas no posto de titular indiscutível, com 33 partidas jogadas. O melhor marcador da equipa. Nada mau, para uma época de ambientação.
Porque é que Karoglan marcava tantos golos? Porque, caríssimos, estamos perante o típico exemplar do avançado balcânico. O arquétipo do avançado móvel, aguerrido, repentino, de técnica rápida e repertório imprevisível. As comparações chovem em catadupa: lembram-se de Pedrag Mijatovic? Karoglan tinha a barba um pouco mais comprida e nunca usou, que se saiba, bigode. De resto, umbilicalmente semelhantes. Porquê Mijatovic na selecção das camisas mais parecidas com toalhas de mesa de pizzaria e não Karoglan? Expliquem-nos...
Na época seguinte, ainda no arcebispado, tornou a ser titular mas facturou um pouco menos: apenas 7 golos. Em 95-96, 8 golos, 28 partidas jogadas. A influência crescia. Via passar ao seu lado jogadores como Forbs (em forma, uma autêntica gazela) e Toni (uma viga com a técnica de uma traineira), por exemplo, e mantinha-se tão firme no onze como no coração dos Red Boys, os irredutibile tiffosi minhotos.
Recapitulando, estamos com 24 golos em 3 épocas. Karoglan achou pouco e vai daí carimba as redes por 14 vezes na época seguinte, em 96-97, ano em que Jardel já jogava nas Antas, e pontificavam por esse campeonato fora estrelas como Gilmar (no Guimarães), 47 avançados brasileiros na Luz e o tridente ofensivo flaviense que carregava a cruz de fazer esquecer Mladen: Miner, Sabou e Matute.
Se Karoglan já estava no panteão dos artilheiros e já se falava em transferências para os grandes, assim ao jeito de um Drulovic, o croata repetiu a dose em 97-98 com mais 14 golos e mais uma época de glória. Note-se que estamos a falar de um jogador com a provecta idade de 34 anos.
Porquê falar de Karoglan, afinal? Razões de várias ordens, entre as quais o esquecimento a que figuras como estas (que conseguem aguentar tantos anos seguidos em Braga e ainda por cima a marcar golos) têm sido votadas, o exemplo pedagógico que este jogador pode constituir para todo o menino cujo sonho é ser o próximo Eusébio (Akwá, Edgar, Pepa: ponham os olhos no mestre!) e, por fim e porque nunca é demais lembrar, o delicioso aroma do futebol de leste e a tradição que tem vindo a cunhar, desde o início dos anos 90, nos relvados viriatos. Disso são exemplos Djukic, Zoran Ban (um jogador bigger than life que a Juventus emprestou ao Belenenses nos idos anos de 94). Milovac (o arranha-céus de Paranhos) e metade do plantel do União da Madeira, onde pontificaram a dada altura, Lepi, Jovo, Simic e o já aqui referido Jokanovic.
Venha a nós o vosso Leste...
terça-feira, junho 17, 2003
Corria o ano de 1995 e a Federação vivia ainda na ressaca da profecia de Queiroz no Monte de San Siro no final da qualificação falhada para o Mundial de 94, quando atirou as tábuas divinas ao chão e declarou ser preciso limpar muita porcaria antes de irmos com as quinas a algum lado.
Passaram largos meses até as sábias palavras do Professor do bigode (não o prof. Neca) serem postas em prática, numa urdidura tortuosa e vingativa. A vingança, caríssimos, seria ali mesmo ao lado das terras onde deveríamos ter estado a mundializar. Canadá, país de Celine Dion e Brian Adams, mas também de Alex Bunbury e Fernando Aguiar.
Foi aí que a selecção exorcisou o fantasma do falhanço queirosiano, no retorno ao tecto do mundo, a Taça da Cúpula do Céu, no original, Skydome Cup.
Esta Cup, no entanto, entrou para os anais como o Torneio dos Sintéticos de Toronto, das chuteiras com pitons esquisitos para jogar em alcatifa e do elenco de destemidos que aceitaram ser atirados para a fogueira e ficarem célebres como "uma selecção de 2ª".
Porque é que este episódio assume importância aqui no contexto cadernético? Por várias razões: a afirmação da tugalidade em contextos de disseminação pós-moderna da prática desportiva (trata-se da assunção do kitsch futebolístico, com o conjunto de jogadores que já iremos expôr!), a arqueologia do refugo e a perspectiva diacrónica sobre uma selecção que assume a sua intemporalidade por vezes das formas mais insólitas.
Deixemo-nos de paleio intelectualóide e vamos aos factos.
No dia 26 de janeiro, Portugal defrontava o país anfitrião, onde pontificavam Alex Bunbury e, a então jovem esperança do país da folha de plátano, Fernando Aguiar.
A nossa selecção essa, apresentava um 11 inicial capaz de rivalizar com um União da Madeira. Senão vejamos: Na baliza tinhamos Neno (ele novamente! O nosso Julio Iglésias!). A defesa estava entregue a Jorge "Bicho" Costa, que tinha a acompanhá-lo à guitarra Rui Bento, jogando a líbero ou carro-vassoura (a posição de que nunca deveria ter saído), Paulo Madeira, acabadinho de ganhar a titularidade a Lula em Belém, e Carlos "êli não gozou!" Secretário, o maior mistério do futebol(?) português.
No meio campo começam as dificuldades argumentativas. Na ala esquerda, uma pantera boavisteira, mesmo de encarnado: Nelo.
Se calhar, aquela questão do 'equívoco Secretário' é mais duvidosa do que parecia à primeira vista. Nelo, extremo-esquerdo também defesa lateral, também nº 10, mas não polivalente. Polivalentes eram os treinadores que o colocavam em campo sem percebermos bem porquê.
Um jogador sem características assinaláveis tirando a técnica do passe em balão e aquela que tem sido injustamente considerada ao longo dos anos como 'uma especialidade', uma técnica traduzida no jargão da bola pela frase "o gajo marca muita bem livres!". Transferido do Bessa para a Luz com o seu colega Tavares, constituía na Avenida da Boavista um diabólico tridente, juntamente com o, também ele internacional, Nogueira, jogador defensivo de parcos recursos mas notável distribuidor de fruta e visual algures entre o intelectual de esquerda e John Holmes.
Na ala oposta, Caetano, mítico do Bessa e de Santo Tirso, onde chegou a presidente da colectividade. Rapidíssimo, pungentíssimo na assistência, doces caracóis dourados pendendo sobre os ombros, vivaço e sempre sempre colado à linha lateral.
Ao meio, o já aqui referido Vado. Número 10. Atenção: n-ú-m-e-r-o 10! O pensador, o regista, o vagabundo, o estratego, o general, o commander in chief. A pérola maior da ostra atlântica, o ídolo do Funchal, jogava como uma criança feliz, com a mesma alegria, com a mesma espontaneidade, com a mesma ingenuidade, com a mesma apetência tanto para o melhor como para o completo ocaso.
Ao seu lado, outro vadio que dispensa epítetos, Pedro Barbosa. Note-se o pendor criativo e fantasista deste meio campo!
Na frente, entregues à bicharada dos centrais canadianos e à vã esperança de que alguma bola chegasse algum dia das alas, dois avançados. Avançados, não pontas de lança, que a selecção tinha um e estava, nesse primeiro jogo contra o Canada, no banco, qual arma secreta.
Falamos assim de Folha e Sá Pinto. Folha, avançado a descair sobre a esquerda era bom de bola, sim e chegou mesmo à titularidade no Porto. Sá Pinto, protagonista da transferência da época para o Sporting juntamente com Pedrosa, um avançado explosivo, temperamental, uma espécie de Di Canio da Cedofeita com um toque pavloviano de dizer "pócaralho" a cada adversário que se aproximava a menos de 2 metros de si.
O jogo, esse, acabou empatado a 1 bola, golo de Folha e Alex, português emprestado. Nesse jogo, foi também utilizado o suplente Calado, de quem nos abstemos de comentar por respeito ao Clube Futebol Benfica, Barroso pé-canhão ("e marca muita bem livres, dasse!") e a arma secreta, ponta-de-lança do qual falaremos a seguir.
No jogo seguinte, contra a Dinamarca, apenas duas alterações no já de si caricato onze inicial. Para a baliza, entrou Alfredo, o gangster, Cappo de tutti cappi boavistieri. Facilmente inserível na categoria que Lineu designaria de "Armarius Vulgaris", dois por três, mogno e nada de contraplacados, era um guarda-redes com um faro raro para cruzamentos. Raro, porque raramente acertava num.
A outra alteração é então a entrada do ponta-de-lança das quinas. O nome? Alves, Paulo Alves. Alto e desengonçado, ganhou uma bota de ouro (ou de outro metal qualquer), literalmente, sem saber ler nem escrever. Mas era o nosso melhor cabeceador, o nosso Jardel transmontano. De nariz à Júlio Isidro, tinha também uma capacidade fora do comum para arrastar consigo os defesas mais ingénuos, crentes que Alves poderia criar algum perigo fora de situações de canto. Era no entanto eficaz, e que o digam, uma vez mais, as gentes maritimistas e, mais tarde, os hooligans da Juve Leo e de Barcelos.
Não é à toa que esse jogo contra a Dinamarca foi ganho com um tento solitário deste matador, sendo no entanto injusto negligenciar o trabalho colectivo e olhos de lince do seleccionador que, ao minuto 70, colocou em campo Tulipa, enfant-terrible suburbano oriundo de Gaia, capaz de destruir completamente uma defesa e ainda engatar umas miúdas ao mesmo tempo. Um extremo à moda antiga dos tempos modernos, enfim.
Esses cinco dias em Janeiro saldaram-se com uma Taça nas mãos, mais um troféu para a já de si atolada saleta da FPF. No entanto, e recuperando Queiroz, impõem-se algumas considerações finais:
Está bem que era necessário limpar a porcaria, mas não deveriam ter sido estas palavras entendidas numa ordem conjuntural? Não estaria o Professor a falar do sistema federativo em vez do sistema de jogo? Se sim, porquê Nelo e Barroso?
Cremos estar perante uma estratégia, assaz comum no estrangeiro, de levar aos amigáveis os jogadores que mais se destacam na época em curso, independentemente do clube (vide o exemplo Rogério Matias na era Scolari) e só por isso, pela preocupação de mostrar ao mundo os nosso cromos, podemos aceitá-lo. De qualquer forma, tratando-se da Taça da Cúpula do Céu (não confundir com a Cúpula do Trovão de Mad Max), acreditamos também que a comunidade emigrante merecia mais do que aquele defesa esquerdo ou do que as palavras "Secretário passa a bola para Caetano".
Se era para isto, então porque não uma equipa com Bizarro na baliza, Portela à direita e Rui Gregório à esquerda, Paixão e Pedro Barny ao meio, e um meio campo com Rui Esteves, Hélio, Taira e Carlos Costa, por exemplo, e um ataque viperino com o astro Pedro Miguel e Vinha a finalizar?
Quais são, afinal, os critérios? É a pergunta que sempre se impôs. Nós aqui, com franqueza, não percebemos.
Devido a motivos que fogem totalmente ao nosso controlo, não conseguimos saciar a sede dos milhões (mesmo!) de internautas que se têm mutiplicado em elogios à Caderneta.
Nós tentamos... mas não somos nenhum Rashid Yekini em plena época 93/94, facturando jornada após jornada para júbilo das gentes do Sado.
Dentro de umas semanitas, se os Deuses ajudarem, talvez a nossa odisseia historiográfica volte a embalar em velocidade supersónica, qual Rui Dolores criando caos na ala direita.
Dentro de momentos... a tão prometida análise profunda a uma saudosa digressão da selecção de todos nós por terras americanas da Commonwealth...
sábado, junho 14, 2003
Breve apontamento antigo sobre uma resenha do Terceiro Anel, kuíca para inaugurar uma nova secção, a dos Suicídios Futebolíticos:
De novo o Sporting. Julian Kmet, astro argentino promissor e tudo o mais que já foi mais que falado, terá assinado a sua sentença de morte em Alvalade, não com as exibições prometedoras mas pouco concretizadoras cada vez que entrava na 2ª parte, mas sim com um gesto, um único gesto fatal.
Numa certa pré-época que nos bem sabemos, o Sporting defrontou o Bahrein numa noite de verão. Julian Kmet pega na bola a meio do meio-campo do Bahrein, levanta a cabeça, arma o pé-canhão e desfere, a uns bons trinta metros da baliza, um tiro descomunal ao ângulo do tipo do Bahrein que naquela noite calhou estar à baliza.
As centenas de espectadores que estavam no estádio reagiram entre o estupefacto e o medianamente contente por o Sporting marcar um golo a uma selecção cujo país poucos sabiam que existiam.
E Kmet, como reagiu? Talvez acossado pela pressão, o virtuoso argentino despe a camisola do Sporting, atira-a para o chão e vira-lhe as costas.
Às vezes, há gestos capazes de demonstrar todo um estado de alma e despoletar todo um terramoto, e nós aqui na Caderneta acreditamos que desde então, tanto Julian já não contava alinhar de verde e branco por muito mais tempo como as gentes leoninas deixaram de o querer por lá.
A pergunta que se mantém é: e se Kmet tivesse corrido metade do campo até ao topo sul, abraçado as redes e tivesse deixado a camisola entregue à Juve Leo?
Depois, um sincero agradecimento às palavras amigas do blog http://traducaosimultanea.blogspot.com e do blog http://escala_estantes.blogspot.com .
E agora, após prolongada ausência por motivos de força maior (são sempre, amigos, são sempre...), impõe-se um apontamento sobre o terceiro búlgaro.
O Terceiro Búlgaro.
Fomos dando aqui conta que já se pegou demasiado no Porto, no Boavista e no Benfica e ainda pouco no outro grande, o Sporting. Tempos virão em que traremos à baila o historial dos defesas laterais, desde Gil, o Baiano a Andrija "trabalho para ser melhor que Maldini" Balajic. Por enquanto, somos movidos pela urgência da justiça.
A justiça de dedicar umas linhas ao búlgaro que chegou a Alvalade para singrar mas que ficou infelizmente na sombra de Balakov, Iordanov e Cherbakov (que não era búlgaro mas como tinha um apelido terminado em 'ov' acabava por funcionar como 'búlgaro emprestado'). Trata-se de um homem que carregou, ao longo da carreira, a cruz de ostentar um epíteto não terminado em 'ov' mas em 'ev'. (e todos nós sabemos que os 'evs' búlgaros circulam ali no vector que vai do Penev ao Iliev e tudo o mais é paisagem).
É mas não devia ser. Bontcho. Bontcho Guentchev, oriundo de Tarnovo (terra natal também de Balakov), assim se chamava esse médio-ofensivo de altíssima craveira que pouco tempo esteve em Alvalade, algures ali por 92-93 e 93-94, precedente e procedente para o Ipswich Town.
Dos tempos lisboetas, fica um punhado de bons apontamentos e um mítico pontapé de bicicleta, golaço de antologia, ao Benfica numa Taça de Lisboa, no Zézinho de Alvalade. Era um centro-campista volante, de futebol alegre mas que oscilava entre o inconsistente e o mágico, com maior pendor para o primeiro.
No entanto, aqui na Caderneta, acreditamos que só facto de ter estado na sombra dos 'ovs' o impediu de alinhar ao lado de Paulo Sousa e Figo na alta-roda do futebol português até ao Natal.
A comprová-lo está o estatuto de ídolo a que ascendeu no coração dos exigentes adeptos do Ipswich Town, que até lhe fizeram um cântico adaptado desse hit clássico da electrónica do início dos anos 90 "No Limits", dos 2 Unlimited.
Várias épocas no Ipswich, outras quantas no Levski de Sofia, campanhas de Mundial'94 (glorioso mundial da Bulgária, em que foi suplente utilizado mas chegou a marcar um penalty ao Mexico) e Euro'96 e depois o ocaso, pelo Luton Town até aos amadores do Hendon.
E agora, aos 39 anos, que faz Bontcho Guentchev, questionar-se-ão muitos por aí?
Bontcho tem um bar, o Strikers, na zona de West Kensignton (ali como quem vem de Charleville Road para Stamford Bridge), em Londres, onde torce, empedernido e em família, pelo Chelsea e ao comando do qual cumpre a sua função social de indutor alcoólico das hordas de hooligans que dos 'blues' que aí se deslocam.
Bontcho, se puderes contacta, que temos algumas perguntas para te fazer. Como é que te tornaste um Paulo China londrino? Porquê o Chelsea com tanto clube aceitável aí na zona? E que história é essa de deixares o Iarvo crescer com uma camisola do Chelsea vestida em vez de uma do Sporting? Isso é maneira de criar um filho?
Aparece, pá, e traz cerveja.
Antes de mais nada, uma preciosa adenda do Filipe sobre (como ele lhe chama) o Anúbis dos Ovos Moles, o nosso Magdi: o robusto centro campista do Beira-Mar não só foi o único internacional daquele clube a alinhar no Itália'90 como chegou mesmo a facturar contra... a Laranja Mecânica, num jogo em que Gullit e muchachos não foram capazes de abalroar a nau capitaneada por AbdelGhani.
Muito obrigado, Filipe, e não te esqueças do relato da assistência de Ronald Baroni para Rui Barros em Santo Tirso!
segunda-feira, junho 09, 2003
Magdi Abdelghani, o Mujahedin da Ria, o Ayatollah do Mário Duarte. Centro campista. Forte. Portentoso. Poderoso no passe. Incisivo na desmarcação. Algo lento. Visão Periférica. Barba farta. Encorpado. 1,78 metro. 77 quilos.
37º melhor jogador africano de sempre pelo France Futebol. 4º melhor jogador africano do ano de 1987 (quando ainda jogava no Al-Ahly do Cairo), distinguido pela mesma publicação, ficando à frente de nomes como Roger Milla e Abedi Pelé. Esteve no Beira-Mar e foi o único jogador desta equipa a alinhar no mundial Itália'90. A-b-d-e-l-g-h-a-n-i.
Quem já se havia esquecido deste nome merece escolher entre trinta chibatadas auto-infligidas e um apedrejamento em praça pública.
O faraó egípcio que passou como um cometa pelos nossos relvados. Onde quer que estejas, estamos aí.
A notícia, se calhar não tão bombástica assim mas de qualquer modo significativa: Isidoro Rodrigues é cantor!
A Caderneta da Bola viu, com estes quatro olhos que a terra há-de comer, o árbitro Isidoro Rodrigues a cantar no programa de Manuel Luís Goucha, algo como 'Ando louco para te ver' ou título similar de assinalável gosto.
Depois de Neno, O Guarda-Redes cantor, o Júlio Iglésias Português (e protagonista de um dos mais macabros incidentes que o futebol português já viu, quando numa defesa mais efusiva abocanhou as redes, ficando pendurado e deslocando o maxilar), é o homem de preto que se lança nas lides. Isidoro vestia um pull-over vermelho e calças caqui e agitava o braço direito estalando os dedos, enquanto cantava algo entre o pimba (no refrão) e o canto gregoriano (nos versos).
Isidoro é, como certamente recordarão, o árbitro que despontou para a ribalta num célebre União da Madeira-Sporting, jogo em que multiplicou cartões como Cristo fez aos pãezinhos, chegando ao cúmulo de manchar a vermelho o currículo do pastor Marco Aurélio, proeminente líder espiritual dos Atletas de Cristo, actualmente perdido em terras transalpinas, depois de passear a sua classe e o seu sorriso estupidamente imaculado por Alvalade.
Para arrumar temporariamente esta questão, acrescentamos que comparável a Constantino no panteão leceiro, talvez apenas Serifo.
O guineense Serifo Soares Cassamá, kuíca familiar de Bambo Cassamá, contabiliza 12 épocas ao serviço do Leça FC, em 4 escalões diferentes do nosso futebol. Um resistente, um combatente, um lutador. Tudo isso, menos avançado e marcador de golos, que era aquilo que se lhe pedia.
Serifo, ao longo de 12 anos e 105 jogos com a camisola verde e branca, conseguiu a proeza de marcar apenas 21 golos. Custa-nos comentar tanta falta de eficácia, tanta aptidão para tarefas defensivas, tanta inaptidão para o futebol kuíca para o desporto em geral. Porquê? Porque conseguiu a proeza paralela de contabilizar mais cartões amarelos do que golos, 29 ao todo. E 5 vermelhos!
É de homem, mas é algo estranho para um avançado, convenhamos. Um avançado de qualquer equipa que não o Leça, perdão. Palavras para quê?
Pedindo desculpa aos nossos leitores pelo atraso, vamos agora retomar a análise da equipa do Leça Futebol Clube.
Depois do "Aranhiço de Lovnica" Vladan e da dupla defensiva Matias e Alfaia, seria legítimo pensar que pouco mais haveria a dizer desta equipa... Mas não. Se o Leça nos habituou a alguma coisa, foi ao facto de possuir, desde sempre, jogadores portadores de características que importa relembrar até à exaustão. E é para isso que aqui estamos amigos!
Aqui na Caderneta desafiamos os leitores a encontrarem, na história do Leça FC, um jogador denominado na gíria de 'criativo'. Um fantasista, um nº10, um maestro, um Milinkovic, um Abílio, um Hajry. É inútil: não há. O meio campo do Leça FC é uma faixa de relva povoada de artistas com torcicolos, de verem passar a bola de Vladan para os avançados. E quando ela passava por eles, a bola, essa, era como se não existisse.
Senão vejamos: que dizer de Cao? Um trinco que só lhe faltava trincar tudo o que mexia. Não muito rápido, como convém a um cão de luta, não muito falador, como convém a um mercenário, não muito tecnicista, como convém a um centro-campista de uma equipa cujo objectivo é sempre permanecer na divisão onde se encontra jogando o pior futebol possível.
E atenção, estamos a falar de um internacional português (como o foram Bambo, Vado, Tavares e outros...) de um jogador que se tivesse o apelido Vidigal até poderia estar a jogar na 2ª Divisão espanhola ou italiana.
Para além de Cao, também sem características de maestro, mas noutro quadrante, temos Zé da Rocha, um extremo, não poucas vezes referenciado como avançado.
As sete épocas consecutivas de Zé da Rocha no Leça FC fazem dele, quer se queira quer não queira, um histórico deste clube. Aquando da sua promoção à primeira divisão em 95, os leceiros foram às compras a Barcelos e adquiriram este natural de Cabo Verde, depositando nele todas esperanças de ver um futebol um pouco melhor do que o suburbio cinzento do Porto alguma vez vira.
Contudo, e apesar de uma média de jogos absolutamente notável (sempre acima de 20 jogos por época ao longo dos sete campeonatos ao serviço do Leça), Zé da Rocha não conquistou o título de rei no coração dos adeptos leceiros.
Era um homem que cumpria, regular e que nunca atirava a toalha ao chão, porém, em Leça esperava-se um pouco mais dele, esperava-se talvez um desiquilibrador, um homem que decidisse um jogo sozinho, mas, sejamos objectivos, Zé da Rocha era bom, mas não era nenhum Pedro Miguel.
Talvez o homem que conquistou o coração dos tiffosi de Leça da Palmeira tenha sido mesmo o endiabrado Constantino.
Constantino, era, e isto é importante, um filho do proletariado. Despontou para a relva no Sport Comércio e Salgueiros, onde nunca chegou a marcar mais de 6 golos por época e daí seguiu para uma travessia no deserto de Águeda e pelo operariado infantil do Vale do Ave. Foi do Desportivo das Aves (ou Desportivo de Neca) que saíu para ingressar no União de Lamas, na altura na 2ª B, onde fez uma época estrondosa, com 34 jogos e 21 golos. Assinalável sucesso no AC Milan do Alto Douro.
Esses 21 golos foram assim o passaporte para a zona da Petrogal, onde se assumiu como um ícone. Em duas épocas facturou 14 tentos e levou o Leça da 2ª de Honra à 1ª, com um impacto assinalável no volume de assistências aos jogos, que desceu vertiginosamente face à categoria do futebol apresentado.
Depois, amigos, foram 3 épocas 3, a marcar entre 12 e 15 tentos, a esmagadora maioria dos quais em contra-ataque e nos descontos. Não, o Leça não jogava melhor, não, o Leça não praticava bom futebol, mas Constantino era ídolo e retribuía com golos.
Estavam reunidas assim condições para uma aventura no estrangeiro. Porém, o Salamanca já tinha fechado as portas depois de ter contratado metade do plantel do Belenenses durante várias épocas a fio, e o destino foi assim o Levante.
Esperava Constantino que o Levante levantasse a sua carreira mas tal não aconteceu. Ao que parece, havia demasiados passes a surgir do meio campo e demasiado poucos a surgir de pontapés de baliza e alívios da defesa, e o nosso homem não singrou. Falta de hábito, dizemos nós.
Mas só vantagens: voltou a Campo Maior, aos relvados lusitanos, daí voltou à terra de Lamas, onde conhecera em tempos o sucesso e daí de novo a Leça, já no ano passado, onde a sua marca esteve francamente abaixo daquilo que os leceiros já viram.
Constantino Roberto, angolano, não deixa contudo de ser um jogador à imagem da equipa: baixinho, forte, rápido, uma finta aqui e ali para encher o olho (mas sem exageros, que a criatividade é non grata) e um sorriso largo e constante de Fernando Festas após cada empate a 1 golo. Sic Transit Gloria Leça.
sábado, junho 07, 2003
Convidamos agora os nossos leitores para uma "trip down memory lane" até 1987.
Um dos nossos colaboradores contou-nos uma história, confirmada também por outra das nossas fontes, relativa às eleições no Benfica desse ano.
Tendo em conta que mais de 15 anos nos separam dos factos relatados, pedimos desculpa por qualquer imprecisão ou excessiva frieza nas palavras proferidas.
No Benfica perfilavam-se dois candidatos presidenciais. Presidente desde 1981, Fernando Martins enfrentava João Santos, candidato estreante que ganharia este escrutínio e que viria a ser substituído por Jorge “Jabba The Hutt” Brito uns anos mais tarde.
A nação benfiquista vibrava por esse mundo fora, dividida entre ambos os candidatos. A RTP2, cedendo à vontade dos sócios encarnados, organizou um debate entre ambos.
O conteúdo do debate, não nos recordamos (não nos peçam de mais), porém, o referido “embate” produziu uma das pérolas futebolísticas mais cintilantes de que há memória.
O ainda presidente Fernando Martins proferiu algumas frases do género “o Benfica é o maior clube de Portugal, “kuíca” da Europa” ou “O Valdo é o melhor número 10 da Europa, “kuíca” do mundo”, etc...
O que interessa aqui reter é que o referido senhor repetiu a palavra “kuíca” algumas vezes, em contextos diferentes e, não necessariamente, nos termos referidos em cima.
“Kuíca”?!?! Interrogou-se o nosso colaborador, que ficou absolutamente estarrecido com aquela preciosidade linguística que, de todo, desconhecia...
Até que uns minutos mais tarde se tornou óbvio que a palavra que o presidente Fernando Martins procurava era “quiçá”! “Quiçá”!!
De “quiçá” a “kuíca”, vai a mesma distância do Benfica dos anos 80 ao dos últimos anos, e este episódio longínquo, devido ao seu valor inestimável, tem sem dúvida potencialidades que justificam a sua adição ao conjunto das doces histórias da bola lusa que a Caderneta se tem esforçado por recuperar...
Mais uma vez pedimos aos nossos leitores que nos relatem episódios de que se recordem com particular afeição, já que nós, por enquanto, só somos dois e não podemos fazer tudo. Contactem. caderneta-da-bola@megamail.pt
Desde já fazemos uma vénia de agradecimento ao Gato Fedorento (http://gatofedorento.blogspot.com) pelas palavras tecidas em favor da Caderneta. Tomamo-las como um estímulo, como uma forte brisa de norte que ajudará esta caravela a navegar pelo mar do esquecimento e a resgatar para a memória colectiva de um povo os fenómenos mais sumarentos do nosso rico futebol nacional.
Quanto à vossa sugestão, devemos afirmar que esse tópico já tinha sido discutido entre nós para futura publicação. Tentaremos, se a inspiração e a memória ajudarem, reintroduzir o tema dos comentadores da bola nas suas mais variadas vertentes e potencialidades. Porém, prioridades editorais "lá de cima", já foram traçadas e dessas... não conseguimos fugir.
sexta-feira, junho 06, 2003
Regressando ao domínio historiográfico. Depois do Gil de Caciolli, do Leiria de Pedro "O Cigano d´Ouro" Miguel, e antes do Chaves de Matute e do Tirsense de Best... eis o Leça Futebol Clube!
O Leça de quem?!? Por onde começar...? Pela baliza? Pelo ataque?
Esbarramos inevitavelmente na complexidade desse mantra, um fratal eterno de dívidas, barretes e futebol muito duvidoso.
Assim, na dúvida, comecemos pelo princípio. E no princípio era o verbo, ao qual se seguiu, rapidamente, Vladan.
O goleiro Vladan, também conhecido por Stojkovic, o Aranhiço de Lovnica, para quem as balizas sempre foram pequenas demais, foi anos a fio a maior esperança dos adeptos do subúrbio industrial do Porto. Era em Vladan que residia a confiança quando tudo parecia falhar, quando Fernando Festas era contratado pela 18ª vez, quando Alfaia perdia aquela bola preciosa para Dino, era para os quase dois metros deste sérvio que os olhos se voltavam nos momentos de maior aperto.
Rápido entre os postes, lento em tudo o mais, uma gritante inaptidão para jogar com os pés, inaptidão que porém compensava com o seu sorriso característico e sempre constante (sorriso aliás que só teve paralelo em Portugal naquele que andou anos a fio estampado na boca de Milton Mendes). Extra-futebol, este Jorge Campos balcânico era também ele um esteta. Não é por acaso que foi por si que, a norte do Mondego, a moda da calça preta almofadada pegou de vez (apesar de correntes teóricas algo duvidosas associarem esta moda a Busquets do Barça ou a Kralj do FCPorto).
Na defesa, referiremos apenas dois exemplares do rigor defensivo. Matias e Alfaia!
Matias... o que dizer? Começar pela estética ou pelas aptidões futebolísticas? Central de vasto currículo, calcorreou clubes como o Gil Vicente e até mesmo o Futebol Clube do Porto (nada a ver com uma "ajudinha" um ano antes da sua contratação num jogo contra o FCP) mas foi no Leça que evidenciou todo o esplendor do seu futebol musculado e quase-autómato, de uma eficácia impressionante na difícil arte do alívio para onde está virado.
Portador de um bigode que já não se via em relvados lusos desde Chalana e Frasco, jogava de igual forma com ambos os pés mas não necessariamente bem com nenhum deles. Foi também uma inspiração para as gerações seguintes. O mui aclamado central Gaspar viu em Matias o seu mentor, por exemplo, tendo inclusive actualizado o bigode para uma barba consistente.
Passemos agora a rigorosa lupa historiográfica sobre Alfaia, seu companheiro timorense. Alfaia, o Xanana de Leça, não era, paradoxalmente, um arauto dos direitos humanos. Desconfia-se aqui na Caderneta que o próprio apelido, seu último nome e nome de guerra nas lides da bola, terá sido um exercício premonitório dos seus progenitores acerca da futura relação do seu rebento com os atacantes adversários.
Alfaia começou em Portugal a carreira com uma travessia no Alentejo, entre o Portalegrense e o Elvas, até assinar pela Tuna da briosa, onde manteve a sua média elevadíssima de jogos por época, algures pelos 27 jogos.
Depois da tuna, o Rio Ave (e decerto que haverá quem o relembre com saudades em Vila do Conde - Rui estás desmarcado, olha o passe em profundidade!) e, depois de um fugaz regresso a Elvas, ingressa no Leça para, em dois anos, ser um dos pilares da campanha de ascensão à primeira divisão.
Era um central rápido e aguerrido, de esgar intimidatório e olhar algo vítreo. Um interessante contraste com Vladan dos Olhos Doces e com Matias. Foram épocas a fio (3, mais precisamente) na primeira e finalmente a descida à 2ª, tendo partilhado uma série de situações dramáticas, como ordenados em atraso, trabalhar com Joaquim Teixeira (sim, esse que "supostamente" encomendou a Paula para o estágio da selecção de todos nós), Rodolfo Reis e sucessivas humilhações nos media face à fraca prestação colectiva da sua equipa. Uma palavra de homenagem para Alfaia... continuou em Leça apesar de tudo isto e foi lá que terminou a carreira em 2000.
Agora estamos a ser expulsos da redacção por uma ameaça de bomba (chamada anónima da zona de Chelas). Continuaremos mais tarde.
Esta manhã apetece-nos gritar bem alto: João Manuel Pinto, o Dread Malaico de Chelas!
Pronto. Já gritámos. Devemos dizer que o modus operandi deste vivaço nunca nos enganou e não foi, por isso, com espanto que verificámos que o sujeito é dos mais puros produtos da cantera de Chelas, possuidora de toda a escola de futebol suburbano (o remate em jeito para não acertar nos carros estacionados, o jogo interrompido por causa do vidro partido da vizinha, a cuspidela ocasional no adversário e respectiva rixa entre bairros...).
De notar também a relação estreita entre a escolinha de Chelas e o maior rival do Clube Futebol Benfica. Também Miguel, consagrado ícone do submundo lisboeta, nasceu para a bola em Chelas e agora é titular de águia ao peito. E também Miguel partilha com o Dread Malaico da pêra à D'Artagnan uma apetência para a confusão, ou partilhava, já que o castelhano Camacho tratou de refrear um pouco a fera, que esteve prestes a ser enjaulada depois de 2 amarelos em 30 segundos nas Antas, uma média de fazer corar Paulinho.
Enfim, enough ie enough, e a Caderneta não veio ao mundo para relatos da ribalta mediática. Paramos por aqui a relação Chelas SLB e demais anexos e prosseguimos para outra.
Subscrever:
Mensagens (Atom)